música 10.07.2008

Welcome to Milliontown | Frost*

Jem Godfrey é provavelmente o produtor britânico de mais respeito, mas foi em cima do palco que ele mudou o meu jeito de ouvir música. Godfrey já produziu vários hits de bandas pops genéricas, mas foi em 2004, quando se juntou com músicos de bandas como IQ e Arena que ele chegou a um nível diferenciado, e deu início ao Frost*.

Rotular música é uma prática muito comum, mas quando eu disse que o modo que eu ouço música mudou quando conheci Frost*, não foi exagero. Foi praticamente uma libertação de rótulos, ignorando tudo e dedicando total atenção a música, que no fundo, é o que realmente importa. Falar de influências é inútil, já que são tantas. Do progressivo ao pop, passando por música experimental e ambient. Mas Milliontown é muito mais do que uma orgia musical, muito mesmo.

O CD começa com a instrumental Hyperventilate, que tem um início tranquilo, todo levado no motif do Godfrey, até chegar ao seu ápice, com a entrada da guitarra de John Mitchell (Arena, Kino), que mostra um entrosamento absurdo com o que é tocado no teclado. Hyperventilate são mais de 7 minutos de uma aula de como se fazer música instrumental de qualidade. Mostrar sentimentos sem letra nenhuma, só pelos instrumentos, não é pra qualquer um. Toma aí, Mike Portnoy.

Daí pra frente, o álbum só cresce, entrando de cabeça no pop com No Me No You, Snowman e The Other Me, que apesar de serem as músicas menos interessantes do CD, são de ótima qualidade. Dosagem certa entre pop e prog. Mainstream sim, mas bem feito pra cacete. O CD segue com Black Light Machine, que é uma viagem sem limites por todos os gêneros músicais possíveis. E é aí que a banda mostra tudo o que sabe, encaixando solos virtuosos, com arranjos criativos, tudo isso embalado pelos vocais de Godfrey, que vão melhorando a cada minuto de música. Seria com certeza a melhor música do CD, se não fosse pela faixa-título que sucede.

Ao ouvir Milliontown, tudo o que já foi tocado antes não passará de uma introdução. Milliontown é ÉPICA, 26 minutos que se passam tão rápidos como uma música do Ramones. A intereção entre os instrumentos é impressionante, principalmente após a guinada que a música dá após o seu terceiro minuto. Andy Edwards, o baterista, faz magica pra acompanhar tudo o que é tocado por Godfrey e Mitchell. Milliontown é a mistura perfeita entre técnica e feeling, força e sutileza, complexidade e simplicidade. Com certeza uma das músicas mais bem feitas que eu já ouvi.

Conhecer Frost* foi uma das experiências mais gratificantes que eu tive nos últimos anos. Um orgasmo cultural, no sentido mais sujo da palavra.

Milliontown foi lançado em 2006, pela Inside Out. Esse ano tem CD novo, e várias músicas já foram liberadas no MySpace da banda. É melhor não comentar nada, o post já tá longo demais. Vá ouvir, filho.

filmes 06.07.2008

Superhero Movie 2.0 | Hancock

Hancock é mais um daqueles roteiros que tão rolando por Hollywood há anos, e porra, ainda bem que ninguém pegou. Sabe aqueles filmes que são completos? Roteiro, direção, trilha sonora, casting e tudo mais? Que se mudassem qualquer coisa, por menor que fosse, não funcionaria tão bem? Hancock é exatamente assim.

Fui pro cinema sem muita pretensão & sem saber muita coisa sobre o filme, só que seria mais um filme de herói. Na verdade, eu fui pro cinema pra ver o trailer de Dark Knight no telão outra vez, mas enfim. Hancock já começa com o pé na porta, numa seqüência megalomaníaca digna de Michael Bay, porradaria e destruição de primeira. Com um início desses, é fácil pensar que seria mais um filme macho-alpha, com adrenalina no talo do começo ao fim, mas felizmente não é isso.

Will Smith já tinha se mostrado um cara fodão quando levou um filme todo sozinho, contracenando só com um cachorro. E em Hancock as coisas não mudam muito, já que o foco do filme fica todo na personalidade problemática do herói(?). Seria muito fácil criar mais um alcoólatra com super-poderes, mas a virada no roteiro, e o rumo que o filme segue a partir daí, criam um clima completamente diferente. É complicado ficar falando sem revelar detalhes importantes da trama, mas o que realmente importa é que Hancock não é só mais um filme com heróis super-poderosos, é muito mais do que isso, é comédia, ação, drama, amor e yadda-yadda.

Pra quem gosta dos trabalhos anteriores do Will Smith, o filme é um prato cheio, já que segue a mesma fórmula, tendo um misto de humor, ação e drama, tudo isso acompanhados de um ótimo duo roteiro-direção. Peter Berg sempre me pareceu um canastrão meia boca enquanto atuava, mas tá se saindo muito bem por trás das câmeras.

Se 2008 não fosse o ano mais nerd que eu já vivenciei, eu diria que Hancock é um dos melhores filmes nerds do ano. Mas com The Dark Knight vindo aí, e com Edward Norton interpretando o Gigante Esmeralda, fica complicado falar isso.

música 30.06.2008

Top 3 Semestral

Meio ano já passou, e nesses 6 meses dezenas de novos álbuns foram lançados. Rolou desde edição de aniversário de Thriller até leak de Chinese Democracy. Óbvio que ainda não ouvi tudo que foi lançado esse ano, mas do que ouvi, ficam aí os três melhores CDs que já sairam até agora. Sem ordem de preferência, só separando o joio do trigo.

Mike Patton - A Perfect Place
A Perfect Place é a trilha sonora do curta metragem de mesmo nome, toda composta por Mike Patton. Sim, o mesmo cara do Faith no More, Mr. Bungle, Fantômas, Tomahawk, Lovage, Peeping Tom, e mais uma infinidade de projetos. O álbum é todo levado no jazz, flertando com pop, experimentalismo e mais outras coisas indefinidas, e isso tudo sem perder a linha. O curta é dirigido por Derrick Scocchera , e tem uma levada completamente noir, o que limitou Patton a uma melodia básica, que vai se encaixando no que é mostrado na película, exatamente como nos filmes dos anos 30.

Portishead - Third
Esteja alerta para a regra dos três: o que voce dá, retonará para você. Essa lição, você tem que aprender, você só ganha o que você merece”. É assim que começa o novo CD do Portishead. Depois de 11 anos sem lançar nada, é assim que eles começam o novo CD. Third é uma mistura foda do melhor da música atual, muito experimentalismo, muita distorção, menos samples que o normal, mas principalmente, muito mojo. É realmente complicado falar desse tipo de CD, já que é tudo muito abstrato. Posso falar que seria uma excelente trilha sonora para o David Lynch. Acho que isso já ajuda.

The Black Keys - Attack & Release

Conheci os caras do Black Keys depois de ver esse vídeo deles tocando no Letterman, e foi amor a primeira vista. Os caras são tudo o que eu procurava, aquele rockzão despretensioso, com uma pegada do blues mais sujo que você encontrar por aí. Attack & Release é o 4º CD da dupla, e é o que mais se afasta do Blues, ficando mais naquele rock pé na porta e fumaça pro alto. Se não fosse pelo lançamento novo do Patton, seria sem dúvidas a melhor coisa do ano. Som de primeiro sem contra indicações.

Essa lista seria de 10 discos, mas como o Wordpress não tá colaborando, ficam só esses três mesmo. Discos que não foram citados e merecem atenção:

The Raconteurs - Consolers Of The Lonely
Russian Circles - Station
Riverside - Schizophrenic Prayer
Duffy - Rockferry
No-Man - Schoolyard Ghosts

televisão 17.06.2008

I Want to Believe | Fringe

Psicocinesia, Transmogrificação, Inteligência Artificial, Teletransporte, Reanimação e Dark Matter. E isso é só a introdução.

Vazou ontem o episódio piloto de Fringe, nova série de J.J. Abrams, o criador de um tal Lost. Quem se acostumou com a lentidão de Lost, pode achar o piloto meio corrido, mas assim é que fica bom. Em 81 minutos, Abrams conseguiu montar um cenário perfeito pra série, introduzindo os personagens principais, e todos os elementos necessários pra segurar a audiência até o fim da temporada.

Olivia Dunham é a agente encarrega de investigar o incidente do vôo 627, onde todos os 147 passageiros morreram de forma bizarra. Quando eu digo bizarra, é bizarra mesmo. Até aí nada de brilhante, até o momento em que o parceiro de Olivia, o agente John Scott é exposto a mesma infecção que os passageiros do avião, e tem poucas horas de vida. Pra resolver tamanho nabo, Olivia vai atrás do Dr. Bishop, um lunático interno de um hospício há mais de 17 anos. E pra entender as insanidades de Bishop, Olivia entra em contato com Peter Bishop, filho do doente. E é a partir da formação dessa equipe que o roteiro vai se desenrolando, revelando cada vez mais mistérios, e isso tudo sem parecer forçado ou corrido demais pra um episódio só.

O próprio J.J. Abrams já havia dito que a série tinha muito de Arquivo X e pouco de Lost, e o piloto confirmou tudo o que foi dito. O modo como a série de Chris Carter foi reciclada ficou excelente, rolaram até algumas referências, o que eu achei bem legal. Tudo o que foi mostrado me agradou muito, mas eu sou meio suspeito pra falar, já que sempre fico meio bobo quando vejo essas coisas com um quê de conspiração governamental com grandes empresas. O fato de ser tudo escrito por Abrams é só um ingrediente a mais no mojo da série.

Pode ser meio cedo pra começar a falar nesse tipo de coisa, mas será a Massive Dynamics a nova Dharma? Independente disso, vem coisa boa por aí.

Fringe estréia dia 09 de Setembro, na FOX.

Sedentarismo 13.06.2008

Blues dos sem tempo

Amanhã vai rolar um post de verdade, eu prometo. Enquanto isso, participei outra vez do podcast do HBD, vale a pena dar uma conferida. Não que eu tenha ouvido, mas enfim.

Sedentarismo 04.06.2008

Coisas para se fazer nas ‘férias’

Voltar a tocar gaita:
Logo quando comprei minha Master Blues, tocava durante horas a fio, estudava técnicas de sopro e tudo mais, pena que isso só durou uma semana. Minha gaita tá largada aqui pegando poeira, já fazem duas semanas desde a última vez que a tirei da capa pra tocar, e o resultado disso é bem notável, não consigo tocar absolutamente nada. Aprender qualquer instrumento sozinho é complicado, sem treinamento então, é impossível. Já to com o material necessário pra dar uma boa estudada aqui, só me falta tempo mesmo.

Fazer minhas camisas em stencil:
Essa já é antiga, era pra ter feito as camisas ano passado, mas acabei me enrolando e adiando de novo. Tenho vontade de fazer três camisas, todas elas bem simples, em stencil, só pra ver como fica mesmo, sem compromisso nenhum. Esse mês vai rolar uma oficina de artes, ou qualquer coisa parecida, no senac perto daonde eu estudo, já vi que vai rolar stencil. Talvez eu apareça por lá.

Tirar minha carteira de motorista:
Porra, to terminando o meu técnico e nada de ir a aula de carro. Não aguento mais pegar ônibus, tenho um carro disponível aqui na garagem, e não tenho a pora da habilitação. Essa daí é pura preguiça, já que assistir aulas na auto-escola é sacal.

E sim, atualizar isso aqui com mais freqüência também faz parte dessa lista.

Sedentarismo & jogos 28.05.2008

Wiiiiiiiii

Comprei o Wii há três dias, e desde então tenho passado praticamente o dia todo sacudindo aquele controle. Sempre achei um absurdo a quantidade de Wiis vendidos em tão pouco tempo, mas depois de jogar pela primeira vez, acho completamente justificável. ÓBVIO que você nunca verá gráficos embasbacantes como em Gears of War, ou qualquer outro jogo no estilo, mas a inovação da jogabilidade garante a compra. Além de tudo, é sensacional poder rejogar todos os jogos que marcaram a minha infância, já que é possível fazer o download de jogos de Mega Drive, NES, SNES e Nintendo 64(!!!) no próprio console.

Como ainda não destravei o videogame, só pude jogar Wario Ware e WiiSports, e tenho que falar, aquelas propagandas com a família inteira jogando são completamente verdadeiras. Enquanto escrevo esse post, meu pai tá lá jogando Tenis em frente a TV. Como já era de se esperar, os dois jogos que vieram não são dos mais interessantes (Wario Ware é bem legal pra se jogar com mais pessoas, mas só isso), até porque servem basicamente pra mostrar o funcionamento do controle, que é excelente. A saída de som no próprio Wiimote dá uma melhora sensacional na jogabilidade, já que ouvir a barulho da raquete acertando a bola DO LADO do seu rosto acaba por aumentar a imersão no jogo, que é bem bobinho.

Até dei uma parada no GTA por causa desse controle, pra vocês verem o nível da coisa. Assim que desbloquear eu dou uma atualizada aqui sobre os primeiros jogos que joguei.

Sedentarismo & jogos 26.05.2008

Pi

Comprei um Wii e estou ocupado demais sacudindo o controle. Em breve voltaremos a programação normal.
Enquanto isso, dá uma olhada no HBDCast, to lá mais uma vez.

televisão 20.05.2008

Wilson’s Heart

Escrever sobre House é sempre complicado. Escrever sobre House logo após ver um episódio, é mais complicado ainda. Escrever sobre House logo após ver um dos melhores finais de temporada, é praticamente impossível. As chances de começar a escrever coisas desconexas e sem sentido é alta, então nem se dêem o trabalho de reclamar.

Pra quem tá meio perdido, esse episódio é continuação direta do episódio anterior, e é também o episódio final da temporada. Sim, essa 4º temporada de House só terá 16 episódios, por causa da greve dos roteiristas. A próxima temporada deve começar em Setembro, então já viu, uns 4 meses de espera pra coisa nova.

Agora sobre o episódio; já tinha falado que House’s Head tinha sido um dos melhores episódios de House, não? Então, Wilson’s Heart conseguiu manter o nível, dando continuidade a trama apresentada do episódio anterior, que terminou com a revelação de que a vítima do acidente que estava morrendo era a Amber. Tendo isso em mente, o episódio é todo focado no relacionamento de Wilson e House, com passagens sensacionais como Wilson pedindo a House que fizesse um procedimento completamente arriscado, tentando recuperar mais alguma memória relacionada ao acidente. E é claro, House aceitou sem pensar duas vezes. E foi esse lado de Wilson que transpareceu mais no episódio, o valor que ele dava ao relacionamento com a Amber, chegando ao ponto de arriscar a vida de House na tentativa de chegar ao diagnóstico. Não é de hoje que eu falo que Robert Sean Leonard é um ator do caralho, e sempre que dão chances a ele, o episódio vai pra frente.

Como já era de se esperar, Amber morre nesse episódio. Logo agora que ela começou a ganhar mais espaço e a se mostrar, cada vez mais, um House de saias. Uma pena, mas é algo que tinha que ser feito. Se fosse diferente, a quinta temporada continuaria nesse triangulo ‘House-Amber-Wilson’. Pegando pelo final do episódio, é fácil prever como será o início da próxima temporada, já que Wilson ficou claramente abalado com a perda, e focou toda a culpa em House, como já era de se esperar. Ah sim, já ia me esquecer, esse episódio a 13 se testou para Huntington’s, que deu positivo. Será que ela é a próxima a morrer? Não seria de todo mal, se a Cameron voltasse para o lugar dela.

É isso, até setembro. Ou não.

House: “Wilson is my best friend, I don’t want him to hate me. I want to stay here. I dont want to feel..pain anymore. I dont wanna be miserable”
Amber: “You can’t always get what you want.”

Pátria que me Pariu & música 17.05.2008

Claudia d’Orei

É bem difícil eu gostar de artitas brasileiros dessa nova geração, já que a maioria se importa mais com o visual do que com a música em si. Dando uma folheada na última Rolling Stone, vi uma pequena nota sobre uma tal de Claudia d’Orei, que misturava Jazz e Dub com uma clima de Trip-Hop. Como tinha o link do Myspace dela, não custava nada dar uma olhada. Definitivamente não me arrependi, desde quinta-feira eu não ouço outra coisa. Claudia tem uma voz delicada, que se envolve com a batida de Trip-Hop, se unificando de uma maneira tão delicada, que seria impossível mudar alguma coisa sem estragar o clima. A quem interessar, no MySpace dela tem 5 músicas disponíveis pra áudio, desta que pra Já Passou, que é com certeza a melhor dentre as 5. Infelizmente o download das músicas não está disponível, perguntei a ela porque, e na verdade, essas versões ainda não são definitivas, por isso só podem ser ouvidas. Ela disse também que já tá terminando de gravar o CD, ou seja, coisa boa vindo por aí.

Claudia d’Orei mora em São Paulo, e toca toda quinta-feira no Opera buFFA. Pro pessoal que gosta de Nouvelle Vague e Lovage, vale a pena dar uma conferida no show.

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